A QUESTÃO SOCIAL NO BRASIL

Algumas situações da vida brasileira apontam para a barbárie. Este é o diagnóstico dos economistas Ademar Ribeiro, do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), e Carlos Lessa, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), diante das questões sociais para a próxima década. De acordo com Ademar Ribeiro, a população da oitava economia industrializada do mundo tem indicadores sociais absolutamente dissonantes, se comparados com o estágio de desenvolvimento das forças produtivas e se também foi considerado o fato de o Brasil evitar a segunda maior taxa de crescimento dos últimos 40 anos, precedido apenas pelo Japão. A dramaticidade da questão social é revelada pelos números: a taxa de mortalidade infantil é duas vezes maior que a do Ceilão, o qual tem uma renda per capita 50% inferior à do Brasil; os 10% mais ricos da população brasileira detém 50% da renda nacional, enquanto que na Índia a mesma parcela ficam com 33%; os meios de transportes dos grandes centros urbanos oferecem o tempo médio de deslocamento (residência-trabalho-residência) de duas horas e 30 minutos, quando as normas internacionais admitem como limite tolerável os 80 minutos. De acordo com o economista Carlos Lessa, dentro do processo de degradação urbana há a violência, agravada pela superação da capacidade carcerária, a qual faz com que cerca de 80 mil condenados estejam nas ruas. Para absorver o déficit acumulado, seriam precisos investimentos da ordem de US$1,5 bilhão, em cinco anos, para a construção de novos presídios. Aumentar o salário dos trabalhadores através de uma política de incentivo agrícola é a alternativa proposta pelo economista do IBASE para resolver o problema da concentração de renda no país. "Para tanto, é preciso uma política agrícola fundiária que desbloqueie o acesso à terra e diminua o crédito subsidiado", defende ele (JC).