IME EXIGE TESTE DE AIDS DE CANDIDATOS

O IME (Instituto Militar de Engenharia), que realiza em 11 estados um dos concursos de seleção mais rigorosos do país, incorporou uma nova exigência ao exame de saúde para aprovação no vestibular: o teste para detecção do vírus da AIDS. O candidato que apresentar reação sorológica positiva, indicando ser portador do vírus "HIV", será eliminado do concurso, mesmo já tendo sido aprovado no exame intelectual. A informação foi divulgada ontem, no Rio de Janeiro, pelo chefe da Seção de Comunicação do IME, major Ronaldo Portela de Oliveira. Também o Exército adotará, ainda este ano, os testes de AIDS. De acordo relações públicas do Comando Militar do Leste, coronel Luís Cesário da Silveira Filho, o Instituto de Biologia do Exército está coordenando um projeto-piloto que prevê a realização do teste em 10 mil soldados que estão sendo incorporados à Força. Segundo ele, o objetivo, a médio prazo, é examinar os cerca de 100 mil soldados que compõem o contingente do Exército, para manter o controle epidemiológico e evitar a entrada de elementos com problemas. Segundo um dos coordenadores da ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS), o sanitarista Ranulfo Cardoso Júnior, a atitude do IME contraria as determinações da OMS (Organização Mundial de Saúde), que estabelece quatro critérios éticos: anonimato do paciente, apresentação voluntária para o teste, gratuidade e esclarecimento dado por profissionais da área de saúde quanto às consequências da doença e suas formas de tratamento. Ao menos dois destes parâmetros-- anonimato e apresentação voluntária-- não serão observados pelo IME. Segundo ele, os testes representam invasão da privacidade do indivíduo e nada
24893 acrescentam do ponto de vista epidemiológico. ""Uma instituição de ensino não poderia prestar esse desserviço à sociedade", afirmou o coordenador da ABIA (O Globo).