Já está pronta a versão bruta do livro em que o ex-ministro da Fazenda, Dílson Funaro, conta os bastidores por que passou ao decretar a moratória da dívida externa, em 1987. Funaro, que morreu em 12 de abril último, cita, por exemplo, que o serviço secreto norte-americano mantinha um agente que fazia longas caminhadas com os ministros da Fazenda do Brasil pelo Central Park, em Nova Iorque. Sempre dando nomes aos bois, Funaro também revela que, antes da reunião de negociação, sempre um representante dos banqueiros se aproximava e ditava as regras: quais seriam as taxas de juros e as condições de rolagem da dívida que deveriam ser pedidas pelos brasileiros. O ex-ministro também lembra que, quando começou sua peregrinação pelos países estrangeiros após a moratória, sempre chegava demasiado tarde aos encontros e reuniões-- antes, seus interlocutores já haviam recebido a visita do embaixador do Brasil nos EUA, Marcílio Marques Moreira, com uma recomendação do presidente José Sarney de que Funaro, suas idéias e seus planos não fossem tomados como o posicionamento oficial do Brasil (JB).