O Sindicato Nacional dos Aeronautas acusou ontem, no Rio de Janeiro, a VARIG de não ter orientado oficialmente os pilotos do Boeing 737-200, 727 e Electra sobre o uso do Plano de Vôo Computadorizado de quatro dígitos antes da queda do 737-200 no Mato Grosso. Isso teria induzido a erro de rota o piloto Cézar Augusto Padula Garcez, do avião acidentado no último dia três, quando morreram 12 pessoas. Em nota oficial, divulgada anteontem, a VARIG afirma que emitiu uma circular em 1986, alertando as tripulações para o fato de o quarto dígito ser um decimal. Garcez deveria ter tomado a rota a 027 graus para chegar a Marabá (PA). Usando 0270 graus, teve um erro de 117 graus à esquerda e se perdeu na selva amazônica. O Sindicato divulgou ontem o boletim da VARIG, de quatro de agosto de 1986, sobre o Plano de Vôo Computadorizado, que não inclui, ao contrário do que a empresa afirma, os Boeings 727, 737-200 e o Electra. De acordo com o Sindicato, apenas no dia cinco último, dois dias após o acidente, foi divulgado novo boletim "revisando" o sistema sobre a utilização do mecanismo computadorizado, orientando todos os pilotos, com exceção dos de Electra, sobre a questão do quarto dígito decimal (O ESP).