AERONAUTA CRITICA CONDIÇÕES DE TRABALHO NA VARIG

O presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, comandante Caetano Lavorato, criticou ontem, no Rio de Janeiro, as condições de trabalho dos pilotos da VARIG. Para ele, um dos problemas mais sérios enfrentados pelos pilotos é o sistema de apoio à navegação usado pela empresa, que é um só para todos os equipamentos, e inclui dados que só são necessários para aviões mais sofisticados, que não o 737-200. Ele explicou que a indicação do rumo magnético, em vez de ter apenas três dígitos, tem quatro, o que pode mudar um rumo de 027 para 270, por exemplo. O sindicalista deu estas explicações ao comentar o acidente ocorrido no último dia três com o Boeing 737-200 da VARIG, que resultou na morte de 12 pessoas. O avião decolou de Marabá para Belém, no Pará, naquele dia, mas desviou-se de sua rota e foi obrigado a fazer um pouso de emergência em São José do Xingu, no Mato Grosso, em plena selva. Como a região não é abrangida pelos radares do Ministério da Aeronáutica, os 50 passageiros e seis tripulantes ficaram dois dias perdidos na selva até que um grupo de sobreviventes conseguiu, após andar quarenta quilômetros, localizar uma fazenda a comunicar o local do acidente. O DAC (Departamento de Aviação Civil) está investigando as causas do acidente. Segundo informações do Ministério da Aeronáutica, as chamadas "caixas-pretas", que registram toda comunicação de bordo, serão enviadas para a Canadian Selft Boarding, empresa canadense de aviação, para serem decodificadas. Quanto as más condições de trabalho dos pilotos dos 737-200 da VARIG, o presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas garante que muitos deles estão trabalhando no limite, com vôos do tipo "pinga-pinga", em etapas curtas, com um sobrecarga de trabalho muito grande (O Dia) (O ESP).