SARNEY PRIVILEGIA ALIADOS PARA DISTRIBUIR RECURSOS

O Maranhão tem apenas 3,42% da população brasileira. Mas neste ano recebeu, de janeiro a maio, 11,71% das verbas federais destinadas à habitação, saneamento básico e infra-estrutura urbana com os recursos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço). Esse é apenas um dos dados registrados em documentos oficiais, elaborados pela CEF (Caixa Econômica Federal), responsável pela administração do Fundo, indicando que a distribuição de verbas com o FGTS passa por critérios políticos. A decisão de ajudar o Maranhão coube diretamente ao presidente José Sarney. Governado por um adversário do presidente José Sarney-- o atual candidato do PRN à Presidência da República, Fernando Collor de Mello--, Alagoas tirou apenas 0,61% do NCz$620 milhões destinados esse ano aos estados com o dinheiro do FGTS. Alagoas tem 1,55% da população, quase a metade do Maranhão. O estado natal do presidente Sarney só perde, proporcionalmente à população, para Sergipe, governado por Antônio Valadares (PFL), ligado ao ministro do Interior, João Alves. Sergipe tem 0,55% da população, mas ganhou este ano NCz$25,2 milhões, 4,07% do total dos recursos. Para se ter uma idéia destes números, basta analisar o dinheiro enviado para São Paulo. O estado obteve 19,19% das verbas, enquanto detém 21,78% dos habitantes do país, embora em termos absolutos esteja em primeiro lugar com NCz$118,9% milhões. O Rio de Janeiro, com 9,25% da população, ficou com 5,65% do FGTS em 1989-- menos da metade do Maranhão. O governador fluminense, Moreira Franco (PMDB), a exemplo de Collor de Mello, também é atritado com Sarney (FSP).