BID ELOGIA O DESEMPENHO DO BRASIL NA DÉCADA

Graças aos superávits comerciais, o Brasil conseguiu "o maior êxito" da América Latina, nos últimos anos, em seu esforço para enfrentar a crise de balanço de pagamentos provocada pela crise da dívida externa. A conclusão consta de relatório do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), divulgado ontem, em Washington (EUA). Além disso, obteve resultados positivos em comparação com o resto da região, ao reduzir ao
24580 mínimo os efeitos adversos do processo de ajuste da atividade econômica, afirma o documento. De acordo com o relatório do BID, o PIB (Produto Interno Bruto) da América Latina teve um crescimento de apenas 0,6% no ano passado em relação a 1987, o que significa uma queda real de 1,5% considerando o PIB per capita. O Brasil ficou praticamente estagnado, ao crescer apenas 0,3%. Os melhores casos foram os do Chile, que cresceu 5,6%, Equador (5%), Barbados (3,4%) e Paraguai (3,1%). Os piores desempenhos ficaram com o Panamá (-18,8%), Nicarágua e Peru, que empataram em -11,1%. O PIB da região foi de US$968 bilhões, maior que os US$873 milhões de 1980, mas, se levado em conta o crescimento demográfico, isso significa uma queda real de 7%. Um dos piores desastres econômicos que o BID detectou no ano passado foi a brusca interrupção do fluxo de capitais externos. Em 1987, tinham entrado US$12 bilhões (uma melhoria em relação aos US$8,8 bilhões de 1986), mas no ano passado o fluxo de capital estrangeiro para a América Latina e o Caribe limitou-se a US$1 bilhão. Com isso, as reservas internacionais dos países da região, que tinham melhorado em US$4,5 bilhões em 1987, tiveram uma queda em 1988 de mais de US$10 bilhões (JB).