EMPRESÁRIOS SE COLOCAM NO PAPEL DO ESTADO

A iniciativa privada aos poucos vai invadindo áreas antes restritas aos investimentos estatais-- não só para suprir as carências dos sistemas de saúde, educação, mas aplicando tabém em setores como energia elétrica e ferrovias. O empresário Olacyr de Moraes, o maior produtor de soja do mundo, vai bancar a construção da Ferrovia Leste-Oeste, num projeto que prevê investimento inicial de US$2,5 bilhões. O grupo Votorantim, do empresário Antônio Ermírio de Moraes, é dono de um conjunto de hidrelétricas espalhadas pelo país que, reunidas, abasteceriam uma cidade como Belo Horizonte (MG). Diante de um Estado desastrado, o empresariado resolveu ir além da mera indignação. A FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), por exemplo, está envolvida, junto à prefeitura paulistana, num plano de construção de casas populares, que prevê a entrega de 250 casas populares neste mês e já mantém assegurado o financiamento para oito mil habitações. A Cofap (Companhia Fabricadora de Peças), do empresário Abraham Kasinski, comprou, em Santo André (SP), uma escola exclusiva para os funcionários e seus filhos. Também o Bradesco, o maior banco privado do país, possui 37 escolas técnicas de 1o. e 2o. graus espalhadas em 21 estados do país, atendendo 53 mil alunos sem cobrar mensalidades ou qualquer outra taxa (JB).