BANCOS ACEITAM "MORATÓRIA BRANCA" DO BRASIL

Os bancos credores do Brasil vão aceitar uma "moratória branca" até o final do governo Sarney. Não vão retaliar e concordam em receber pagamentos parciais dos US$2,3 bilhões de juros que vencem dia 18 deste mês. Os negociadores brasileiros, Sérgio Amaral e Arnim Lore, reuniram-se ontem, em Nova Iorque (EUA), com o comitê assessor dos bancos. Na reunião, ficou tacitamente acordado que não haverá retaliação caso o governo brasileiro continue a pagar atrasado. Em contrapartida, também foi acertado que o Brasil demostrará boa vontade pagando parte dos juros. Não há uma data definida para esse pagamento. Não houve uma vitória brasileira nem uma derrota dos bancos. Apenas se repetiu a estratégia de reuniões anteriores: atrasar a decisão ao máximo, se possível até março de 1990, quando toma posse o novo governo. Para os bancos, a perda não será grande. Os pagamentos atrasados serão acrescidos de mais juros. Houve apenas uma decisão prática na reunião de ontem, Foi referente à última parcela de US$600 milhões do acordo firmado com os bancos credores no ano passado. O Brasil deveria receber esse dinheiro-- na realidade apenas descontaria daquilo que deve aos credores-- até 30 de setembro. Após essa data, o acordo prescreve. Só que o acordo também determina que o dinheiro seja liberado apenas após o país fazer um acerto com o FMI (Fundo Monetário Internacional). Como não houve até agora um entendimento com o Fundo, há o risco de o Brasil ficar sem os US$600 milhões (FSP).