O Banco Central divulgou ontem a nova projeção do balanço de pagamentos do país para este ano, com a informação de que o superávit comercial elevado de US$16 bilhões será insuficiente para cobrir os pagamentos dos serviços da dívida externa. De acordo com a nova versão trimestral do programa econômico brasileiro, enviado ontem aos credores externos, o Brasil deve pagar US$10,3 bilhões de juros líquidos (US$11,2 bilhões brutos menos o rendimento de US$900 milhões com a aplicação das reservas cambiais) e ainda amortizar US$6,12 bilhões do principal da dívida. O BC luta para obter US$795 milhões do FMI (Fundo Monetário Internacional), US$600 milhões dos bancos privados internacionais, US$1,87 bilhão de novos financiamentos dos organismos multilaterais e agências governamentais e ainda US$91 milhões de créditos intercompanhias, no total de US$3,36 bilhões, até o final do ano. Na estimativa do BC, a dívida externa brasileira terá redução de 1,9% este ano, com queda do saldo de US$112,89 bilhões para US$110,71 bilhões- - US$100,71 bilhões de médio e longo prazos e US$10 bilhões de curto prazo-- excluídos os efeitos da flutuação do dólar norte-americano. Ainda de acordo com estimativas do BC, o próximo governo vai herdar o compromisso de pagar US$51,1 bilhões do principal da dívida externa registrada, de médio e longo prazos, que tem vencimento entre 1990 e 1994. O futuro governo vai assumir dívida registrada de US$110,7 bilhões (previsão para o final deste ano): US$100,7 bilhões de compromissos de médio e longo prazos e US$10 bilhões do endividamento de curto prazo. Do total de US$100,7 bilhões da dívida registrada, 51,3% vencem nos cinco anos de mandato do sucessor de Sarney (JC).