Um acionista minoritário da CODESP (Companhia Docas do Estado de São Paulo), funcionário da empresa há 35 anos, entrou com ação contra a PORTOBRÁS, pedindo a devolução de cerca de NCz$30 milhões, cobrados indevida e ilegalmente pela holding ao Porto de Santos desde 1985, por
24157 serviços fictícios. O funcionário, o analista de sistemas Rubens Fortes Antônio, pediu na Justiça Federal a anulação do contrato que obriga a CODESP a recolher 6% de suas receitas tributárias e patrimoniais à PORTOBRÁS, por uma assessoria que nunca existiu. Ele calcula que essa porcentagem signifique atualmente a remessa de NCz$1,6 milhão por mês à PORTOBRÁS. A CODESP, que também é citada na ação por ter concordado com o contrato, ainda desconhecia o documento até ontem. Mas, em maio último, seu diretor-presidente, Cláudio Macedo Dreer, citou aquela taxa de 6%, durante entrevista ao "Jornal da Tarde", como uma das causas que explicam as tarifas mais altas cobradas pelo Porto de Santos. Dreer nunca disse, porém, que os serviços cobrados não eram feitos pela "holding". Na ação, Rubens Fortes Antônio não menciona a questão das tarifas. Ele diz apenas que a transferência irregular de recursos à PORTOBRÁS agrava o quadro financeiro cronicamente deficiente da CODESP (O ESP).