A PETROBRÁS, pela primeira vez desde 1982, não vai antecipar o pagamento de dividendos a seus acionistas. O motivo alegado foi a crise financeira que atravessa. Embora o balanço do primeiro semestre, divulgado ontem, indique o lucro líquido de NCz$560 milhões (NCz$557,13 por lote de mil ações), equivalente a US$369 milhões, a situação não é boa. O resultado, segundo a PETROBRÁS, reflete "um lucro meramente contábil". O efeito contábil se explica pela não inclusão do déficit da ordem de US$450 milhões, gerado pela defasagem entre o preço CIF médio (preços, frete e seguro) efetivo nas importações de petróleo no semestre, de US$18,26 por barril, e o preço de remuneração na comercialização interna, de US$13,36. Este prejuízo não é computado nas contas da PETROBRÁS, mas levado a débito do CNP (Conselho Nacional do Petróleo). A PETROBRÁS chegou ao final do primeiro semestre com investimentos de US$1,176 bilhão e um endividamento líquido de US$2,344 bilhões, dos quais US$1,443 bilhão de curto prazo (JC) (GM).