SENADO CRITICA A NEGOCIAÇÃO DA DÍVIDA EXTERNA

A grande falha do governo José Sarney na questão da dívida externa foi a falta de coerência na estratégia de renegociação com os credores. Os quatro ministros da Fazenda do presidente adotaram políticas diferentes, impedindo que o país fechasse um acordo que reduzisse a transferência de recursos no exterior. Esta é a principal conclusão do relatório da Comissão Especial do Senado Federal para a Dívida Externa, divulgado ontem pelo senador Fernando Henrique Cardoso (PSDB/SP). Na opinião do senador, relator da Comissão, o ministro que adotou uma política de renegociação mais prejudicial ao país foi Maílson da Nóbrega, que abandonou as propostas de negociação não-convencional apresentadas por seu antecessor, Luiz Carlos Bresser Pereira. Uma prova de que o atual ministro acertou uma renegociação prejudicial ao país é que hoje o governo está adotando medidas para proteger as reservas cambiais. Isso porque a grande transferência de recursos para o exterior em função do pagamento de juros fez as reservas caírem. No ano passado, o país pagou US$10,5 bilhões. Neste ano, a previsão é de um desembolso de US$11,2 bilhões (FSP).