O Brasil não paga os juros devidos aos bancos privados há cinco semanas. O Ministério da Fazenda justifica a moratória como um recurso para manter o nível das reservas cambiais do país em patamares adequados. Em julho, os pagamentos em atraso somam US$230 milhões; em agosto podem ser acrescidos de mais US$120 milhões. Os débitos junto ao Clube de Paris estão sendo regularizados. Assessores do ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, afirmam que há dois tipos de moratória: a declarada e a não-declarada. Na declarada, o devedor anuncia formalmente a suspensão dos pagamentos e faz um discurso político para galvanizar a opinião pública. A moratória não-declarada é a adotada pelo Brasil nestas últimas semanas. Após a centralização do câmbio, o país, sem alarde, deixou de pagar. Ao contrário do que se imagina, os bancos também lucram com os atrasos de pagamento dos juros da dívida externa brasileira. Na resolução 1.422 do Banco Central, de 16 de janeiro último-- quando foram centralizadas as operações de câmbio-- há uma garantia de que todos os pagamentos efetuados fora do prazo ficam sujeitos ao acréscimo dos juros do período do atraso (FSP).