Entre janeiro e maio deste ano, nos últimos cinco meses de seu governo em Alagoas, o candidato do PRN à Presidência da República, Fernando Collor de Mello, sacou US$1,1 milhão dos cofres do estado para fazer pagamentos lançados como "despesas de caráter secreto" na contabilidade oficial. O orçamento oficial previa apenas NCz$34,7 mil para os gastos reservados do governador ao longo de todo o ano de 1989. Em maio, quando deixou o cargo para disputar as eleições, Collor já havia aumentado esta verba em 5.276%, enquanto a inflação neste mesmo período foi de 120% e os salários do funcionalismo público estavam congelados. O ex-governador gastou na verba secreta exatos NCz$1,27 milhão em valores de maio, que equivalem hoje a NCz$2,45 milhões. O volume de gastos feitos em despesas secretas nos cinco primeiros meses do ano foi nove vezes maior do que o de todo o ano passado. Neste ano, parte da verba foi usada para contratar jatos particulares das empresas de táxi aéreo Líder e Lug- Táxi Aéreo. Funcionários do estado, como a chefe do escritório de Alagoas em Brasília, Severina Bezerra da Silva, e o ex-secretário civil, Cláudio Vieira (que hoje integra o comitê da campanha de Collor), receberam dinheiro da verba secreta (FSP).