PESQUISA DO IBGE DIZ QUE MICROEMPRESAS CRIAM POUCOS EMPREGOS

Pesquisa divulgada ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) surpreendeu os defensores da tese de que as microempresas são fomentadoras de empregos e distribuidoras de renda no país. Segundo a pesquisa, feita junto com o Censo Demográfico de 1985, as 1.007.833 microempresas legais existentes naquele ano (80% do total) ocupavam 2,736 milhões de pessoas, das quais apenas 1,154 milhão eram empregados e o restante proprietários e familiares sem remuneração. Ou seja, elas empregam, em média, 1,1 pessoa por empresa. Da mesma forma, pouco contribuem para a renda nacional, já que seu faturamento, de US$12 bilhões anuais, corresponde a somente 3% do faturamento global das empresas e sua contribuição para o PIB (Produto Interno Bruto) foi de apenas 1,3%. De acordo com a pesquisa, metade das microempresas está concentrada na região sudeste, geradora da maior parcela de renda do país, e 25,1% no Estado de São Paulo, enquanto 21,7% em toda a região nordeste, 4,5% no norte e 6,2% no centro-oeste. O IBGE classificou como microempresas aquelas que apresentavam faturamento anual de 10 mil ORTNs (Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional) da época e constatou que elas se dedicam à atividade comercial (48,2%) e de serviços (39,4%). Apenas 11,1% eram indústrias. Do total das empresas, 47,1% contam apenas com o trabalho do proprietário. O microempresário brasileiro é pobre e sua retirada média mensal é de apenas 2,1 salários-mínimos, ou NCz$420,00 a preços de hoje (O ESP).