Uma carta secreta revela que o Itamaraty montou uma contabilidade clandestina a fim de enviar dólares ao escritório da Fundação Visconde de Cabo Frio em Nova Iorque (EUA), destinados a cobrir rombos orçamentários. A idéia exposta na carta consistia em criar gastos inexistentes para que o Itamaraty, responsável pela Fundação, enviasse mais dinheiro do que o necessário-- a diferença voltava ao Brasil, com o valor do dólar no mercado paralelo. A carta foi assinada, em 20 de julho de 1987, pelo ex-coordenador-geral da Fundação, Paulo Mafra, dirigida para a chefe do escritório em Nova Iorque, Ruthe Gomes. No final, o diplomata recomenda: "Por favor, guarde imediatamente esta carta no seu cofre". Mafra comunica que o Itamaraty iria iniciar o pagamento de US$6,5 milhões devidos supostamente à Fundação (FSP).