Os projetos pecuários, principais responsáveis pelos desmatamentos e queimadas na Amazônia, não só foram desenvolvidos na região com o apoio do governo federal, como continuam até hoje tutelados pelo dinheiro público. A afirmação foi feita ontem pelo técnico em planejamento do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais), Clando Yomomizo, durante palestra na USP (Universidade de São Paulo). No estudo que vem desenvolvendo desde 1985, Yokomizo constatou que 18% dos 556 projetos pecuários em implantação com incentivos fiscais do FINAM (Fundo de Investimentos na Amazônia) têm mais de 20 anos de idade, 40% têm mais de 15 anos e 7% têm mais do que 10 anos. Segundo os cálculos do pesquisador, 10 anos seriam mais do que suficientes para que esses projetos estivessem definitivamente enraizados e emancipados do auxílio governamental. O apoio do FINAM permite que os empresários deduzam até 25% do imposto sobre a renda devida-- em alguns casos, há até isenção total-- e utilizem até 50% do mesmo imposto para reinvestimento no projeto, como aumento de capital. A situação toma proporções ainda mais dramáticas quando se constata que os projetos agropecuários representam 58% de todos os aprovados pelo FINAM até hoje. Do total de aprovados, apenas 15% foram dados como definitivamente implantados (JB).