Quase 10 milhões de trabalhadores cruzaram os braços no primeiro semestre de 1989, o que significa que 20% da população economicamente ativa do país parou-- ao que tudo indica em razão da ausência de uma política salarial a partir do "Plano Verão", decretado em janeiro-- e foi à luta por melhores salários. Foi o movimento grevista mais vigoroso desde o início do governo Sarney, segundo dados levantados pelo Departamento de Estudos Sócio-Políticos e Econômicos (DESEP) da CUT (Central Única dos Trabalhadores), seção São Paulo. De janeiro a junho deste ano ocorreram 751 greves, contra 333 em 1988, 627 em 1987, 649 em 1986 e 327 em 1985. Os dados relativos aos meses de abril a junho ainda são preliminares. Se fossem acrescentadas às 751 paralisações confirmadas outras 498 sobre as quais o DESEP tem apenas dados parciais (não confirmados) o total pode chegar a 1.249. O mês que registrou o maior número de paralisações foi março, quando ocorreram 203 greves, mobilizando um total de 2.662 milhões de trabalhadores (JB).