Em entrevista de 75 minutos levada ao ar ontem pela TV Bandeirantes, o presidente José Sarney anunciou o fim da tolerância às críticas a seu governo. O presidente criticou a imprensa que, a seu ver, tem "poder maior do que o poder do Estado" e é "capaz de criar fatos que não são verdadeiros". Sarney gastou grande parte do tempo tentando explicar sua viagem à França. "Não levamos ninguém, por conta do governo, que não fossem aqueles indispensáveis", disse. Acrescentou que não foi assistir a festejos, mas sim dar sequência a um dos êxitos de seu governo: "Eu inaugurei a política da diplomacia presidencial". O presidente, hoje, não tem mais poder nenhum. "O presidente, hoje, não pode formular uma política", queixou-se durante a entrevista, convocada por ele mesmo para rebater as críticas que recebeu dos presidenciáveis no debate realizado no último dia 17. O presidente atribuiu a responsabilidade pela "crise de Estado", que é atualmente "o grande problema nacional", ao Congresso Nacional. "Na Constituição, o Congresso participa de medidas executivas, como se o Executivo pudesse ser dividido", disse. O presidente José Sarney reafirmou ainda que não vai interferir no processo sucessório, que não pretende permitir a antecipação da posse do presidente eleito e que, quando deixar o poder estará encerrando sua carreira política (JB) (GM).