JUIZ DECRETA PRISÃO PREVENTIVA DE NAHAS E CAMÕES FILHO

O juiz da 13a. Vara Federal do Rio de Janeiro, Augusto Guilherme Diefenthaeler, decretou anteontem a prisão preventiva do investidor Naji Nahas e do diretor da distribuidora Capitânea, Elmo de Araújo Camões Filho (filho do ex-presidente do Banco Central, Elmo Camões). Os dois pedidos de prisão foram encaminhados ao juiz no mesmo dia pelas procuradoras da República Celia Regina Souza Delgado e Lindora Maria Araújo. Nahas e Camões foram enquadrados no artigo 3, inciso 6o., da lei de economia popular (com pena de reclusão de dois a 10 anos) e no artigo 7, inciso 3o., da lei do "colarinho branco" (com pena de dois anos de reclusão). O juiz afirma existir provas da "materialidade do crime" cometido por Nahas e Camões, que levou em junho à crise nas Bolsas de Valores do Rio de Janeiro e São Paulo e à quebra de corretoras e distribuidoras de valores. Estes crimes são inafiançáveis. Outros dois envolvidos no caso foram indiciados no inquérito aberto pela Polícia Federal sobre a crise na Bolsa do Rio: o presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Martin Wimmer, enquadrado por omissão (artigo 23 da lei do "colarinho branco"), com pena de um a quatro anos de reclusão; e o diretor da corretora Celton, Eyler Erwin, acusado de negociar títulos sem lastro financeiro e enquadrado no mesmo inciso do artigo da lei do "colarinho branco" em que se encontram Nahas e Camões. A partir das prisões dos indiciados, a procuradora Celia Regina Delgado terá cinco dias para oferecer denúncia contra eles. Desde as seis horas da manhã de ontem, duas equipes da Polícia Federal de São Paulo, com quatro homens cada uma, estão encarregadas da captura de Naji Nahas e Elmo Camões Filho (FSP).