GRUPO DOS 7 E A DÍVIDA EXTERNA DA AMÉRICA LATINA

Os sete países mais ricos do mundo não pretendem ser generosos com as nações endividadas, e optaram pelo pragmatismo em suas decisões relativas ao problema da dívida externa da América Latina. No comunicado final da reunião dos industrializados, divulgado ontem em Paris (França), fica claro que o Grupo dos Sete (G-7) defenderão com firmeza a estratégia de negociação da dívida caso por caso. O texto subescrito pelos sete ricos aconselha os endividados a adotar políticas de reajuste econômico equilibradas, com o aval do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BIRD), cujo objetivo deverá ser o estímulo dos investimentos e o esforço para aumentar as remessas de lucros para o exterior. Única concessão dos ricos aos endividados é "maior flexibilização dos créditos para exportação no contexto do Clube de Paris". Mas não vão mais longe e insistem no arrocho econômico como condição prévia para soluções negociadas do endividamento. Os representantes-- não oficiais-- de sete dos mais pobres países do planeta reunidos em Paris, paralelamente à conferência de cúpula dos sete mais ricos, solicitaram ontem à Organização das Nações Unidas (ONU) que convoque uma conferência internacional para debater a anulação da dívida do Terceiro Mundo. Eles também querem proibição de empréstimos internacionais para a compra de armas, e o "estabelecimento de novas regras econômicas e financeiras internacionais, de acordo com a justiça social, a prudência ecológica e a promoção da dignidade humana" (O Globo).