Superado apenas por alguns países africanos, o Brasil é um dos líderes mundiais das estatísticas sobre a mortalidade infantil, embora seja o terceiro na produção de alimentos. Cerca de 50% dos óbitos causados no país pela fome se concentram na região nordeste. Uma experiência pioneira, entretanto, desenvolvida há dois anos no Ceará, pelo Instituto de Prevenção à Desnutrição e à Excepcionalidade (IPRED), já livrou da morte mais de duas mil crianças. O IPRED foi criado por quatro profissionais de saúde que trabalhavam no Hospital Albert Sabin, o mais importante do estado, na tentativa de tratar as crianças desnutridas. Hoje, gasta NCz$15 mil por mês, apenas NCz$5 mil a mais do que o Ceará paga a cada um dos seus 25 deputados. O IPRED é uma sociedade civil, sem fins lucrativos, cuja receita advém de campanhas e doações. Para combater a mortalidade infantil, o IPRED tem uma equipe de 82 funcionários e estagiários que cuidam de 100 crianças. O diagnóstico é sempre igual: problemas neurológicos e respiratórios causados pela fome e perda de 50% do peso normal. O tratamento dessas crianças demora no mínimo seis meses (O Globo).