O governo de Mato Grosso do Sul, o genro do presidente José Sarney, Jorge Murad, secretários estaduais e grandes empresas, como o Bradesco e a Votorantim, constam como autores ou envolvidos direta ou indiretamente em conflitos de terra registrados no Brasil, no ano passado, segundo pesquisa divulgada ontem pela Comissão Pastoral da Terra em Itaici (SP), onde se realiza a 24a. Assembléia-Geral dos Bispos do Brasil. O dossiê-- que foi entregue ao papa João Paulo II no mês passado-- relaciona os nomes de 216 pessoas mortas em conflitos no campo, das quais 142 vítimas de assassinato, 68 de acidentes diversos e cinco de envenenamento por agrotóxicos. O número de conflitos investigados pela CPT é de 768, atingindo todos os Estados brasileiros e envolvendo 86854 famílias (567354 pessoas), numa área total de 9 milhões 557 mil 902 hectares. Deles resultaram, além das 216 mortes, 1363 pessoas feridas, 557 prisões, 68 ameaças de morte e 40 greves-- configurando o ano mais violento no campo no período de 1964 a 1985, em que ocorreram, de acordo com os dados disponíveis pela CPT, um total de 1106 mortes violentas de lavradores. O nome de Jorge Murad, assessor e genro do presidente José Sarney, aparece no relatório ao lado de autoridades do governo do Maranhão, como o secretário da Segurança Pública, coronel João Ribeiro da Silva, e o vice-governador João Rodolfo. Eles estão associados, no documento da CPT, a casos de "grilagem" (JB).