O chefe da divisão de balanço de pagamentos do Banco Central, Luiz Paulo Gião, informou, ontem, durante debate com técnicos de empresas estatais, no Rio de Janeiro, que cerca de "US$18 a US$20 bilhões da dívida externa brasileira jamais entraram no país, devido a malversação de recursos". Segundo ele, esses dados baseiam-se em informações de fontes internacionais como "o Morgan Guaranty Trust, o BIS e até mesmo a CIA, órgão da inteligência norte-americana". No início de abril, o jornal Washington Post, com base em estudo do Morgan, afirmou que "nada menos que US$14 bilhões da dívida brasileira não chegaram ao país e foram parar em contas bancárias em Miami e Nova Iorque". Esta informação foi negada pelo diretor da área externa do BC, Antônio de Pádua Seixas. No entanto, Luiz Paulo Gião afirmou que para atrair dólares, os governantes brasileiros fizeram muitas burradas. Uma dessas, foi um empréstimo de US$800 milhões obtido junto ao governo francês. Desses, US$200 milhões entraram sob a forma de moeda e o resto em equipamentos "para cuja utilização nem sequer havia projetos elaborados e que estão apodrecendo nos portos nacionais e internacionais" (Jornal do Comércio) (O ESP).