COMISSÃO DÁ OS NOMES DO CASO NAHAS

Um documento mantido até agora sob sigilo, com data de 27 de junho, traz importantes revelações sobre a crise nas bolsas de valores. Nele, a comissão nomeada pelo conselho de administração da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ) para apurar quais os responsáveis pelo escândalo apresenta suas conclusões e dá os nomes dos implicados. Formada por corretores que não são conselheiros da Bolsa e por três especialistas que não são corretores-- os advogados Luiz Alfredo Taunay e Carlos Alberto Ulhôa Canto e o diretor do BNDES, Sérgio Zandron--, a comissão aponta várias irregularidades nas operações que resultaram na crise. Há indícios "significativos", segundo o documento, de "condição artificial de demanda, manipulação de preço, fraude e prática não equitativa". Os investidores envolvidos e listados no documento são: Alfredo Grumser Filho, Beatriz Sarmento Esteves, Carmine Enrique, Elmo de Araújo Camões Filho, Ivelino Jacques Bicca Jr., Luiz Affonso Otero, Margareth Rose da Costa Ferina Castro, Milton Deusdará; Naji Robert Nahas, Roberto Roblota, Waldomiro Hadad, Cobrasol, Selecta Participações Ltda., Selecta Comércio e Indústria S.A e Selecta Participações e Serviços Ldta. Os negócios desses investidores foram feitos por corretoras e distribuidoras que podem também ter infringido as normas da CVM. As corretoras apontadas são a ABC Roma, a Bancocidade, Beta, BMG, Bozzano, Celton, DC, Digibanco, Elite, FNC (CITIBANK), Ney Carvalho, Paulo Willemsens, PEBB, Planibanc, Prosper, SN Crefisul, Tamoio e Umuarama., todas do Rio de Janeiro, e Franco, Intra, Novinvest, Progresso e Walpires. As distribuidoras são a Bancap, Capitânea, Dinâmica, Distribank, Planibanco, Titular e Winner. O esquema envolvia, ainda, de acordo com o texto da comissão os bancos financiadores das operações conhecidas como D+Zero, que podem estar implicados por emprestar volumes acima do permitido. São eles: Banco Mercantil de Crédito, Banco Bozzano Simonsen, CITIBANK, Banco Pontual e Planibanc. A comissão concluiu que todos os envolvidos, mais o presidente licenciado da bolsa, Sérgio Barcellos, e o ex-superintendente, José Breno Salomão, os que assinaram cartas de fiança e o ex-conselheiro Erwin Pedro Eyler-- que procedeu de "forma censurável"-- devem responder a inquéritos (O ESP).