AMAZÔNIA OCIDENTAL TERÁ PROJETO IGUAL AO CALHA NORTE

Um programa semelhante ao Calha Norte será implantado pelo governo brasileiro na região da Amazônia Ocidental no segundo semestre deste ano. Este projeto de ocupação da faixa de fronteira internacional atingirá 60 municípios dos Estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Mato Grosso e foi elaborado por cerca de 100 técnicos de diversos Ministérios. A coordenação é feita pela SADEN (Secretaria de Assessoramento da Defesa Nacional), um organismo chefiado pelo general Rubens Bayma Denys, chefe do Gabinete Militar, e subordinada diretamente à Presidência da República. O Proffao (Programa de Desenvolvimento da Faixa de Fronteira da Amazônia Ocidental) começa exatamente no ponto onde termina o Calha Norte, no Município de Benjamin Constant, no Amazonas. É uma faixa de 3.415 quilômetros de extensão e 150 quilômetros de largura que tem como limite, ao sul, o Município de Cáceres (MT). O programa é complementar ao Calha Nortem, criado em 1985, e tem a mesma base ideológica: ações de governo para firmar a soberania nacional. O projeto piloto que serviu de modelo para o Proffao é o mesmo do Calha Norte, o Município de Tabatinga (AM). Com o apoio do Exército, foram realizadas nesta cidade ações nas áreas de saúde, saneamento, desenvolvimento urbano, previdência, comércio bilateral com o país vizinho e construção de estradas vicinais. A participação das Forças Armadas neste segundo projeto deve ser reduzida. A justificativa de técnicos da SADEN para a utilização dos militares no 6.771 quilômetros de extensão do Calha Norte é a baixa densidade populacional da região. No caso do Proffao, por atingir regiões mais populosas, as prefeituras servirão de base de apoio. A questão indígena, que foi motivo de protestos durante a implantação do Calha Norte, está fora do programa. Segundo os técnicos da SADEN, a área do Proffao não tem problemas de demarcação de terras indígenas (FSP).