DÍVIDA INTERNA DA UNIÃO ATINGIU NCZ$67,56 BILHÕES

O Banco Central informa que a dívida interna líquida da União atingiu NCz$67,56 bilhões, ao final de maio último, com crescimento nominal de 1.130,2% e real de 26,7%, no período de 12 meses. De janeiro a maio deste ano, a dívida interna líquida, excluídos os títulos da carteira do Banco Central, cresceu 114,3%, em valores nominais, e de 1,8%, em termos reais, contida pelo elevado resgate líquido de papéis, no mês passado. Considerados os títulos em poder do BC-- NCz$48,34 bilhões-- a dívida mobiliária de responsabilidade efetiva do Tesouro Nacional atingiu, ao final do mês passado, NCz$115,91 bilhões. Essa cifra corresponde a mais de uma vez e meia (exatos 156,9%) do Produto Interno Bruto (PIB) de 1988, de NCz$92,99 bilhões. Em relação ao PIB estimado de NCz$592,43 bilhões para este ano, a dívida interna bruta atingiu, em maio, 19,56%. O diretor do departamento de economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Walter Sacca, calcula que a dívida interna equivale de 26% a 30% do PIB. Mas ressalta que a causa da intranquilidade social não é o tamanho da dívida interna e sim a incapacidade do governo para promover os ajustes em suas contas para dar segurança de que os títulos serão honrados, neste final de mandato do presidente José Sarney e no início da próxima gestão. Mas o ministro da fazenda, Maílson da Nóbrega, rejeita com veemência a proposta dos empresários do Congresso Nacional aprovar em lei a garantia de que o Tesouro honrará os seus títulos. Segundo Maílson, a "rolagem" da dívida pública interna ocorre normalmente. A Secretaria de Planejamento da Presidência da República acrescenta que o Tesouro também não terá dificuldades para a colocação extra de NCz$2,2 bilhões de papéis para complementar a cobertura do déficit da Previdência Social (revista Afinal no.253).