CMN ANALISA REFINANCIAMENTO DA DÍVIDA DE ARMADORES

O governo decidiu ressuscitar o escândalo da SUNAMAM (Superintendência Nacional da Marinha Mercante). Em sua reunião de amanhã, o CMN (Conselho Monetário Nacional) examinará uma proposta do ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega (que aceitou uma recomendação do seu colega dos Transportes, José Reinaldo Tavares), refinanciando os contratos de empréstimo realizados para construção de navios em estaleiros estrangeiros, mantendo as multas previstas na inadimplência do devedor. Segundo Maílson, em março último a dívida vencida e a vencer dos armadores já alcançava NCz$678,3 milhões, o que corresponde a cerca de 160% do valor de mercado dos navios financiados. Até 1982, a construção no exterior de navios especializados foi uma prática constante dos armadores brasileiros, que utilizavam operações de crédito através de financiamentos externos concedidos à extinta SUNAMAM. Esta, em seguida, os repassava às companhias brasileiras, sendo que, até 1982, quando estourou o escândalo, o repasse não tinha nenhuma vinculação com o empréstimo externo. A partir daí, o governo alterou as regras do jogo. Em 1986, foi aprovado um rescalonamento das dívidas, para pagamento em até 15 anos, a partir da entrega das embarcações, mas a adesão a esse programa foi mínima. Por isso, amanhã o CMN examina uma nova proposta de revisão desses financiamentos (JB).