No dia 24 de junho de 1987, o Senado Federal resolveu investigar as irregularidades na importação de diversos produtos-- carne, arroz, milho, lácteos, pescados e supérfluos, como cerveja em lata e queijos finos-- e instalou a Comissão Parlamentar de Inquérito dos alimentos. Começou, então, a surgir um quadro envolvendo mais de 40 instituições públicas, entre ministérios, autarquias, empresas do governo, de economia mista e privadas. Foram apontadas, claramente, as ocorrências de crimes de corrupção passiva, falsidade ideológica, de responsabilidade e prevaricação. São 180 pastas e 20 mil páginas de documentos e depoimentos. Passados dois anos, a Comissão elaborou um relatório detalhado onde denuncia um "rombo" de US$300 milhões em 103 infrações, creditados a diretores e altos funcionários de empresas estatais-- INTERBRÁS, Companhia Brasileira de Alimentos (COBAL), Companhia de Financiamento da Produção (CFP), Secretaria Especial de Abastecimento e Preços (SEAP), Câmara de Comércio Exterior (CACEX), Loyd Brasileiro e Conselho Interministerial de Preços (CIP)-- e debitados na conta dos contribuintes. O relatório, agora, será divulgado aos senadores e encaminhado ao Tribunal de Contas da União (TCU) e à Procuradoria Geral da República, que deverá concluir pela responsabilidade civil e criminal dos infratores (revista Afinal no.252).