Foi montada dentro do Itamaraty uma conexão secreta, operada por diplomatas brasileiros, no eixo Brasília-São Paulo-Nova Iorque, utilizando o Banco de Boston, nos Eua, para remessa ilegal de dólares aos EUA. O jornal Folha de São Paulo dispõe de documentos que comprovam o envio dos dólares através de departamentos diretamente subordinados ao Ministério das Relações Exteriores, configurando crime de "colarinho branco", que prevê pena de prisão para os eventuais responsáveis. A operação tinha sua sede, até a semana passada pelo menos, na Fundação Visconde de Cabo Frio, subordinada ao Itamaraty, cujo conselho patrimonial é escolhido diretamente pelo ministro das Relações Exteriores. Este conselho escolhe a diretoria, da qual faz parte o secretário-geral do Itamaraty, Paulo Tarso Flecha de Lima. Coube a Paulo Tarso escolher o principal executivo da fundação, Paulo Mafra, afastado na semana passada, depois da descoberta de que sua mulher, Regina Camões (filha do ex- presidente do Banco Central Elmo Camões, envolvido no "Caso Nahas"), também funcionária da entidade, trabalhava no Brasil mas recebia seu salário em Londres. O canal escolhido por Mafra para o envio de dólares era a empresa de turismo Maxi Tours, sediada em São Paulo e que pertence à Fundação Cabo Frio. Sua tarefa aparente era exclusivamente a venda de passagens. A Maxi Tours tem uma conta no Banco de Boston em Nova Iorque. O número da conta é 2501698. A agência fica no número 767 na Quinta Avenida, no centro de Nova Iorque. Os cheques eram assinados pessoalmente por Paulo Mafra, coordenador-geral da Fundação Cabo Frio (FSP).