O governador Newton Cardoso poderá perder o cargo para o qual foi eleito em 15 de novembro de 1986, se for aceito o pedido de Impeachment" feito pelo comando do movimento sindical do funcionalismo público mineiro e que está para ser votado na Assembléia Legislativa pelos 77 deputados estaduais. A base do pedido de Impeachment" do governador é o chamado "dossiê da corrupção" que tem mais de 300 páginas de denúncias contra Newton Cardoso e seus amigos e assessores e que esta semana que passou foi acrescido por uma série de documentos e denúncias feitas através de uma série de reportagens do jornal Estado de Minas, o maior e mais importante do estado. As reportagens mostraram desde a construção milionária e não explicada de um aeroporto na Fazenda Veredão, em Itaiobeiras, na divisa com a Bahia, até um levantamento que demonstra a triplicação da fortuna pessoal do governador, em três anos de governo, e a constatação de que conseguiu multiplicar suas propriedades rurais. As denúncias mostram também o envolvimento do governador com empreiteiras e métodos pouco ortodoxos com que está não só aumentando o patrimônio, para ser hoje um dos mais ricos e prósperos fazendeiros de Minas Gerais, como consegue benefícios com dinheiro público, que tornam as terras dele, da noite para o dia, supervalorizadas com a construção de estradas, barragens, pontes e obras de infraestrutura e irrigação. E há denúncias menores, mas nem por isso menos impostantes, da compra de pulseiras de ouro, anéis de ouro e esmeraldas para secretárias, ou de ração para animais, ou desapropriação supervalorizada de terras de amigos quando era prefeito de Contagem, tudo com o dinheiro do contribuinte (JC).