As Bolsas de Valores de São Paulo e do Rio de Janeiro reabrem, hoje, sem receber qualquer tipo de socorro na cobertura das operações a descoberto, em função da inadimplência do mega-investidor Naji Nahas. O próprio mercado deverá adotar um mecanismo de proteção para evitar tumulto, estabelecendo um limite máximo de queda na ações. A decisão do governo de não liberar recursos para a liquidação das operações foi tomada pelo próprio presidente José Sarney. "Não devemos intervir e nem podemos colocar qualquer tostão do Tesouro, doa a quem doer", disse ele ao ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega. A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) decidiu abrir inquérito para apurar as responsabilidades de Nahas nas operações. A BVRJ informou que até ontem quatro das sete corretoras que ficaram inadimplentes em consequência das operações envolvendo Naji Nahas já haviam honrados seus compromissos. Permaneceram inadimplentes as corretoras Ariju, Beta e Ney Carvalho. As três devem em conjunto NCz$18 milhões. Segundo as informações, quatro corretoras de São Paulo-- Impra, Valpires, Franco e Novoinvest-- não honraram compromissos com corretoras do Rio de Janeiro no tumulto que se seguiu à decisão de Nahas de deixar a descoberto compromissos no valor de NCz$39 milhões. O Conselho de Administração da BVRJ decidiu proibir o mega-investidor Naji Nahas, suas empresas ou pessoas vinculadas a ele direta ou indiretamente de realizar operações em seu pregão nos mercados à vista e a prazo. Além disso, a BVRJ resolveu suspender a liquidação física e financeira de todas as operações realizadas pelo investidor no mercado carioca a partir de dois de junho, isto é, que venceram na última sexta-feira, dia nove, ou estão por vencer. A Polícia Federal informou que o Ministro da Justiça, Oscar Dias Corrêa, proibiu a saída do país de Naji Nahas, do presidente da BVRJ, Sérgio Barcellos, do superintendente da BVRJ, José Breno Salomão, e do proprietário da Corretora Ney Carvalho, Fernando Souza Ribeiro de Carvalho (FSP) (O Globo).