MULHERES ESTÃO SENDO ESTERILIZADAS EM MANAUS

Mais de 45% da mão-de-obra feminina do Distrito Industrial de Manaus (AM) encontra-se esterilizada. A tendência é pelo aumento do número de mulheres esterilizadas, sobretudo após a aprovação da licença- maternidade, que consta da nova Constituição. A denúncia é do Comitê da Mulher Trabalhadora (CMT) de Manaus. Segundo o CMT, essa prática acontece desde 1986, quando foi denunciado, pela primeira vez, o "Projeto PF- Brasil", promovido pela multinacional norte-americana Path-Finder que, a título de projetos de "planejamento familiar" pretendia esterilizar em massa as operárias das indústrias da Zona Franca de Manaus. O projeto teria a duração de dois anos, mas, segundo o CMT, a cada ano aumenta o número de mulheres esterilizadas e o meio mais comum é a ligação de trompas. Levantamento do CMT constata que a maioria das empresas instaladas na Zona Franca de Manaus-- mais de 200 empresas de pequeno e médio porte que empregam mais de 200 mil trabalhadores, sendo a maioria mulheres na faixa de 13 a 22 anos--, exige o "planotest", confirmando que a mulher não está grávida, para a contratação das operárias. Empresas como a Philco da Amazônia exigem atestado de esterilização e outras distribuem anticoncepcionais, sem acompanhamento médico algum. De acordo com o CMT, o PF-Brasil envolve, ainda, a Universidade da Amazônia, o SESI e outros órgãos do governo estadual (Boletim Agen no. 8106).