De cada 100 crianças que nascem no Brasil, 62 vivem em ambientes contaminados, sem condições adequadas de saneamento básico (água e esgoto), um número que salta para 84 no nordeste. E mais: dos 57 milhões de crianças e adolescentes brasileiras, 85% vivem em famílias cuja renda per capita chega até dois salários-mínimos, o que significa hoje NCz$162,00. Deste total, 24 milhões integram famílias que obtêm por mês até meio salário-mínimo. Estes são alguns dos dados coletados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), por encomenda da Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), traçando o mais completo desenho sobre a população entre zero e 17 anos, classificada de crianças e adolescentes. O levantamento fez comparações entre os anos de 1981 e 1986, constatando que, se houve avanços sociais nos últimos anos, não foram suficientes para tirar o Brasil de uma das piores colocações, entre os países do ocidente, em qualidade de vida. O Brasil é hoje a oitava potência e a 48a. no "ranking" social. A lei no Brasil proíbe o trabalho de menores de 14 anos-- mas ele não apenas existe, como se sabe, mas está aumentando nas camadas mais pobres. O estudo mostra que 30% da população entre 10 e 17 anos já integra o mercado de trabalho-- e a maioria sem carteira assinada. Em outras palavras, o país tem hoje 15 milhões de trabalhadores infantis, e a maioria deles ganha baixos salários, por serem mão-de-obra desqualificada. Eles recebem, em média, por mês, 20% de um salário- mínimo. Isso significa NCz$18,00, o que daria para comprar 20 maços de cigarros (FSP).