MINISTRO ACUSA LEGISLAÇÃO DOS EUA DE "AGRESSÃO A PARCEIROS"

O ministro interino das Relações Exteriores, Paulo Tarso Flecha de Lima, classificou ontem, em Brasília, o novo dispositivo da legislação norte- americana de comércio-- mais conhecida como "Super 301"-- de "um conjunto de normas agressivas voltadas contra os parceiros comerciais". Ele voltou a criticar a decisão dos EUA de incluir o Brasil na "lista negra" dos países com práticas "desleais" de comércio e afirmou que o país tem posições "não passíveis de negociação". A política de reserva de mercado da informática e a questão da concessão de patentes farmacêuticas permanecem intocadas, garantiu o ministro, dizendo que qualquer alteração no quadro atual "terá que ser decidida por meios próprios, independente de pressões, uma decisão soberana do Brasil". Em Porto Alegre (RS), o embaixador do Brasil na ONU (Organização das Nações Unidas), em Genebra, e representante do país no GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio), Rubens Ricúpero, disse que o Brasil se sairá bem nas negociações envolvendo as ameaças norte-americanas. Ele acha também que as tarifas proibitivas de 100%, aplicadas no ano passado sobre produtos químicos, papel, celulose e aparelhos de TV do Brasil, podem estar com seus dias contados, uma vez que o país tem "o apoio de 51 países dos 100 que integram o GATT" (JB).