Em 16 decretos assinados de março a dezembro do ano passado, o então governador de Alagoas, Fernando Collor de Mello, hoje virtual candidato do PRN à Presidência da República, destinou Cz$235,15 milhões (equivalentes hoje a NCz$1,760 milhão, ou US$550 mil) ao seu Gabinete Civil. É o que a oposição designa de "verba secreta" mas, na prática, corresponde à verba para "despesas gerais", das quais o governador não precisa prestar contas, como confirma o atual governador, Moacir Andrade (PRN). Não há nesse fato, necessariamente, uma ilegalidade ou irregularidade, mas o volume de dinheiro entregue pelo governador ao seu Gabinete contraria a transparência administrativa que Collor transformou em bandeira eleitoral. Além disso, o Gabinete Civil, que não executa obras, concentrou um volume de verbas superior ao destinado à Secretaria de Agricultura, o que não é lógico em um estado de economia predominantemente agrícola como Alagoas (62% da economia alagoana dependem dos usineiros de açúcar) (FSP).