O Banco Central pode estar envolvido com um escândalo. Isto é o que acredita parte da diretoria do BC, cujo comando está dividindo em relação às remessas de dólares, sem qualquer contrapartida de ativos com a liquidez internacional, a exemplo do ouro, para investimentos em Portugal. Segundo fonte do BC, a orientação de extinguir a "conta ouro" nas operações cambiais com Portugal tem o apoio do presidente José Sarney e partiu do presidente do banco, Elmo de Araújo Camões. Essas facilidades consagram interesses de grandes conglomerados, tais como o Monteiro Aranha, Andrade Gutierrez e Norberto Odebrecht, que pretende fazer investimentos em setores como construção de "shopping centers", hotéis de turismo e abertura de bancos de investimentos. Esses grupos empresariais estão registrados entre os primeiros para a liberação da remessa de dólares. Alguns diretores do BC consideram a iniciativa lesiva aos interesses nacionais. Isto porque existem fortes indícios de que o acelerado repatriamento de divisas feito pelas empresas estrangeiras sediadas no país esteja sendo motivado pelas elevadas cotações no mercado paralelo. Até o mês de abril, as remessas de lucros e dividendos, da ordem de US$271 milhões, bateram o recorde dos últimos anos. Na opinião desses diretores do BC, as operações com Portugal teriam o mesmo caminho. Ou seja, os recursos remetidos para o exterior retornariam pelo paralelo, proporcionando um ganho de pelo menos 200%. A mesma fonte do BC informou que o total de remessa de dólares para Portugal, que poderá ser liberado, é da ordem de US$400 milhões, quantia considerada por alguns diretores bastante elevada frente às dificuldades cambiais do país e os prováveis complicadores para o recebimento dos recursos por parte do FMI (Fundo Monetário Internacional) e Banco Mundial (BIRD). A "conta ouro", que o presidente do BC, com apoio de alguns diretores, pretende extinguir nas operações com Portugal, é um mecanismo pelo qual toda empresa é obrigada a depositar junto à autoridade monetária um volume do metal com valor semelhante ao total de dólares que pretende receber no exterior. Os empresários que criticam a medida alegam que o investimento no estrangeiro torna-se inviável com a "conta ouro", devido à defasagem entre o preço do metal no país e a cotação do dólar oficial. O preço do ouro segue a variação do dólar "black", e vice-versa (JC).