Dezessete trabalhadores rurais foram assassinados no ano passado na região conhecida como Araguaia-Tocantins, centro-oeste do país. O número de mortes é inferior ao registrado em 1987, quando 35 lavradores foram assassinados. A redução ocorreu porque o ano de 1988 foi eleitoral, segundo constatou a CPT (Comissão Pastoral da Terra) em levantamento sobre a violência naquela região. O relatório da CPT diz que "comparando o ano de 1986 com o de 1987, verificamos que em 86, ano de eleições para deputados, senadores e governadores, a violência foi menor". "Confrontando os dados de 87 com os de 1988, ano de eleições municipais em todo o país e eleições gerais no Estado do Tocantins, o mesmo fenômeno aconteceu". "A caça ao voto, o cuidado de não se exporem, são necessidades dos políticos tradicionais para se perpetuarem no poder e, portanto, nesta época, diminui a violência que praticam contra os trabalhadores", diz o relatório da CPT. No ano de 1988 também foram registrados, na região, 109 ameaças de morte contra trabalhadores rurais, leigos e religiosos, 54 espancamentos, 46 prisões e 65 casas queimadas, onde 290 pessoas foram mantidas em cárcere privado. A violência na área envolve 936 famílias de trabalhadores sem- terra (JB).