EMPRESÁRIOS PEDEM ACORDO DE EMERGÊNCIA

Os empresários voltaram a defender um pacto social, ontem, no Rio de Janeiro, durante debate "Greve e Democracia", na CNI (Confederação Nacional da Indústria), com o governo e os trabalhadores. O presidente da CNI, senador Albano Franco (PMDB/SE), considerou o encontro o primeiro passo para um acordo nacional de emergência-- como qualificou a mais nova versão do pacto. Para ele, "é preciso lutar contra o desânimo nacional, e esperar que a nova proposta de política salarial se materialize e ameine o clima de greve que domina o país". Segundo dados da CNI, só neste ano, o Brasil registrou mil paralisações, muitas de longa duração (15, 20 dias), e foram perdidas 100 milhões de jornadas de trabalho. Como a população economicamente ativa do país é de cerca de 28 milhões de pessoas, a perda representou prejuízo de US$4 bilhões e equivale a parar o país por quatro dias. A ministra do Trabalho, Dorothea Werneck, também presente ao encontro, disse que apóia a iniciativa dos empresários de retomarem a proposta do pacto nacional, mas ressaltou que o projeto só será viável desta vez se todas as partes envolvidas tiverem maior flexibilidade do que a demonstrada em experiência anteriores, quando resistiram a ceder nos seus pontos-de- vista. A ministra reclamou dos que se eximem da responsabilidade pelo que ocorre no país e só preferem apontar culpados. Já o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Luís Antônio de Medeiros, também presente ao debate, disse que os trabalhadores só vão participar do pacto social depois que as negociações já estiverem em andamento, "para eles verem se são sérias ou não". O presidente da CGT (Central Geral dos Trabalhadores), Antonio Rogério Magri, não se dispõe a um diálogo tendo como parceiro o governo, sob o risco de os sindicatos "perderem a credibilidade" junto às bases (O Globo) (GM).