A perda de 25% do poder aquisitivo dos trabalhadores entre 1974 e 1987 e a alteração dos hábitos de consumo levarão o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) a alterar a faixa de renda das famílias pesquisadas para levantamento mensal da inflação e a reduzir o peso da alimentação e gastos com habitação no cálculo mensal da inflação a partir do mês que vem. Os índices do instituto, que refletiam o custo de vida para as faixas entre um a cinco e um a 30 salários-mínimos, passarão a espelhar a inflação dos que ganham entre um a oito e um a 40 pisos. Os gastos com vestuário, transporte e comunicação, saúde e cuidados pessoais e despesas pessoais passam a ter maior impacto na inflação. O anúncio foi feito pelo próprio IBGE, ao informar que o brasileiro do final dos anos 80 está fumando menos do que há 15 anos, bebendo mais leite e cerveja, vai mais ao teatro e utiliza uma parte maior de seu salário para se vestir e outra bem menor para se alimentar. Também gasta proporcionalmente menos no pagamento de aluguel, em relação à sua renda mensal. Segundo o IBGE, desde agosto de 1974, o brasileiro foi incorporando novos hábitos de consumo e lazer, que passaram a ter participação nos orçamentos familiares, como videocassetes e microcomputadores, e hoje chega a prever em suas despesas o pagamento de advogados, despachantes e transporte escolar (FSP) (JB).