O total de pessoas ocupadas no país com rendimento mensal entre meio e um piso salarial chegava, em 1987, a 14,7 milhões-- cerca de um quarto dos 57,4 milhões de trabalhadores--, segundo o último levantamento feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O setor com maior concentração de trabalhadores nessa faixa é a agricultura (4,991 milhões), que também é recordista na utilização de mão-de-obra escrava: existiam 3,827 milhões de brasileiros trabalhando nesse setor sem receber qualquer remuneração, conforme o IBGE. No lado extremo, onde os trabalhadores recebem acima de 10 pisos-- faixa máxima pesquisada--, há 3,745 milhões de pessoas, ou cerca de 7% do total de brasileiros ocupados. No levantamento do IBGE, é possível constatar que, em proporção por cada setor, é na administração pública onde se concentra a maior parcela de trabalhadores com rendimento acima de 10 pisos. Para 2,383 milhões de empregados no setor público, há 350,2 mil-- cerca de 14% do total-- ganhando acima de 10 pisos. No setor agrícola, menos de 2%-- 256,7 mil-- do total de pessoas ocupadas ganham mais de 10 salários. A maior parcela da mão-de-obra do país ganha, no entanto, entre dois e cinco pisos, conforme constatou o IBGE. São 15,588 milhões de trabalhadores nessa categoria, dos quais a maior parte, 3,361 milhões, está empregada na indústria de transformação, seguida de 2,161 milhões no comércio. O setor de serviços, integrado em sua maioria por instituições financeiras, emprega 10,101 milhões, dos quais a principal parcela (2,506 milhões) tem rendimento entre um e dois salários-mínimos. Em todos os setores há números variáveis de pessoas que trabalham sem nada receber. Depois da agricultura, o comércio utiliza a mão-de-obra de 310,681 mil brasileiros sem pagar salário. Em seguida, vem o segmento de serviços, com 262,460 mil trabalhadores sem remuneração, e a indústria de transformação, com 120,270 mil. Na administração pública, 614 trabalham sem salário (FSP).