O governo planeja desviar parte dos recursos da seguridade social, obtidos através da contribuição de trabalhadores e empresários, para financiar programas estranhos à atividade previdenciária. Um projeto elaborado pelo Ministério do Planejamento prevê que o dinheiro que seria usado principalmente para pagar aposentadorias e atendimentos hospitalares, terá de ser dividido, por exemplo, com a demarcação de terras indígenas e a construção de poços e açudes no nordeste. A proposta consta do Plano Plurianual, uma espécie de programa de metas do governo a partir de 1990, que precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional. O Plano contém um segunda distorção: destina mais recursos para programas assistenciais, tais como a distribuição de leite para famílias carentes, do que para a Previdência. Assim, projetos tocados por órgãos como a LBA (Legião Brasileira de Assistência) e a SEHAC (Secretaria Especial de Habitação e Assistência Social) são privilegiados em relação ao pagamento dos atendimentos médico-hospitalares de 30 milhões de segurados da Previdência e dos 13 milhões de aposentados e pensionistas (FSP).