CONVERSÃO SEM DESÁGIO TRAZ PREJUÍZO AO BRASIL

Os pedidos de conversão da dívida externa em investimento pelo valor de face dos títulos (sem desconto) feitos pelos bancos credores que participaram do acordo de liberação de "dinheiro novo" ao Brasil, assinado no ano passado, chegaram a US$1,788 bilhão. Este resultado demonstra o interesse destes bancos em participar da conversão da dívida sem deságio, já que, pelo acordo, foi fixado um teto de US$1,8 bilhão para este tipo de operação. O diretor da Área Externa do Banco Central, Arnim Lore, informou que 93 bancos credores encaminharam pedidos ao BC, através de telex, desde a abertura das inscrições, no dia dois de maio último. A partir de setembro o BC inicia efetivamente estas conversões, que não podem ultrapassar o limite mensal de US$50 milhões, ao longo de 36 meses. Este tipo de conversão sem deságio favorece sensivelmente aos bancos credores, que negociam os títulos da dívida brasileira pelo valor de face, quando no mercado secundário estes títulos estão sendo negociados com um deságio de 65%. Ou seja, mantida o nível atual de deságio, as operações vão significar um prejuízo para o Brasil de US$17,5 milhões em cada lote mensal (JB).