O presidente José Sarney disse ontem, em Assunção, ao final das cerimônias que marcaram a posse do novo presidente paraguaio, general Andrés Rodríguez, estar "satisfeito que o exemplo do Brasil (de abertura política) tenha frutificado no Paraguai". O presidente brasileiro ficou 12 horas no Paraguai. O presidente José Sarney falou também sobre a possível intervenção norte-americana no Panamá: "Evidentemente, jamais poderemos achar que os países podem usar qualquer tipo de intervenção em outro país". Isso seria um retrocesso." "Seria voltar à política do big stick, coisa que nem os EUA desejam nem nós desejamos", afirmou ele. O ministro das Minas e Energia do Brasil, Vicente Fialho, que acompanhou o presidente José Sarney na viagem, foi obrigado a dar muitas entrevistas a imprensa paraguaia sobre a possibilidade do Brasil vir a aceitar alterações no acordo que firmou com o governo de Assunção (na época do ditador Alfredo Stroessner) sobre a compra da energia gerada pela hidrelétrica de Itaipu. Pelo acordo, firmado com a duração de 50 anos, o Brasil comprará todo o excedente da energia elétrica que caberia ao Paraguai. Os paraguaios querem poder vender esse seu excedente para outros países, "mas nós não podemos concordar com isso", disse o presidente da Itaipu Binacional, Ney Braga, também presente às cerimônias. Para os repórteres paraguaios, o ministro brasileiro deu apenas respostas evasivas, afirmando que ainda não tinha recebido qualquer pedido oficial de revisão técnica do acordo (FSP) (O Globo).