O Instituto de Pesquisas Espacias (INPE) divulgou ontem, em São Paulo, uma nova nota com a posição oficial do órgão sobre a maquiagem de dados do desmatamento da Amazônia. Uma outra nota, menor do que a publicada ontem, tinha sido divulgada no último dia oito. A nova nota pretende esclarecer de forma definitiva a controvérsia. Segundo o texto, o instituto não alterou os resultados sobre desmatamento da área na segunda edição do relatório que fez a pedido do presidente José Sarney. A afirmação oficial do INPE é falsa. No segundo relatório, divulgado no último dia sete, há dados que não foram apresentados no primeiro, referentes ao desmatamento realizado anteriormente à década de 60. De acordo com a primeira versão, que serviu de base ao pronunciamento do presidente José Sarney durante o anúncio do programa "Nossa Natureza", em 6 de abril, as "áreas alteradas de floresta (desmatamento) dentro dos limites da Amazônia Legal até o ano de 1988" correspondem a 251.529,55 quilômetros quadrados. Em nenhuma página do documento é dito que este número exclui desmatamentos antigos. Além desse cálculo, na segunda versão do documento consta um outro: 343.975,98 quilômetros quadrados são apontados como total de área florestal devastada até o ano passado. Incluem-se aí as áreas de desmatamento antigo omitidas na primeira versão. A diferença (92.545,73 quilômetros quadrados) é aproximadamente igual ao dobro da superfície do Estado do Rio de Janeiro (FSP).