AS FALHAS NO PLANO DE EMERGÊNCIA DE ANGRA DOS REIS

O exercício realizado pelo Comando Militar do Leste do Exército em março, simulando a evacuação da população de Angra dos Reis (RJ) em caso de acidente nuclear, revelou falhas no sistema de emergência atual. Apesar de ser correta a utilização das Forças Armadas na evacuação e apesar do esforço do Exército em fazer o exercício, o plano de emergência continua deficiente. São necessárias 10 horas para as tropas, que se deslocam dos arredores do Rio de Janeiro, chegarem ao local e mais 24 horas, pelo menos, para iniciarem a evacuação. Portanto, parte-se da hipótese de uma evolução lenta do acidente hipotético com o reator da usina nuclear Angra 1. O zoneamento do plano atribui um prazo de 15 dias para retirar a população da zona entre 10 quilômetros e 15 quilômetros de raio em torno da usina, que atinge a cidade de Angra dos Reis. Essa hipótese otimista parte da suposição de que no pior caso apenas 0,1% do volume de material radioativo será liberado por dia. Não se admite, pois, a ruptura brusca do prédio de contenção. Cientificamente é impossível garantir a integridade do prédio em termos absolutos, apesar de ser baixa a probabilidade de rompimento. Além disso, o plano permanece pouco articulado com as autoridades locais. Admite a ida de 180 ônibus do Rio de Janeiro, o que é complicado em situação de pânico-- como ocorreu quando disparou acidentalmente uma das sirenes de alarme na periferia de Angra dos Reis (FSP).