Com alguns anos de atraso e muitas dúvidas, os empresários brasileiros começam a levar a sério a criação do mercado unificado europeu, com estréia marcada para o "reveillon" de 1992, e a preocupar-se com as consequências que essa nova estrutura pode trazer para o comércio exterior do país. O gigantesco "país" a ser unificado terá 2,2 milhões de quilômetros quadrados e 320 milhões de habitantes. O Itamaraty concluirá, até o final deste ano, um estudo detalhado sobre o impacto da integração da CEE (Comunidade Econômica Européia) sobre o comércio exterior do Brasil. O efeito desta integração, no entanto, começou a se fazer mais presente já no ano passado. As importações de produtos brasileiros feitas durante 1988 pela CEE atingiram US$9,3 bilhões (US$6,9 bilhões em 1987, um crescimento de 34,49%), enquanto as norte-americanas-- até então o principal parceiro do comércio exterior brasileiro-- chegaram a US$8,7 bilhões (US$7,3 bilhões em 1987). Segundo dados da CACEX (Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil)-- disponíveis para o período de janeiro a setembro de 1988--, as importações brasileiras da CEE foram de US$2,27 bilhões. Este volume representou 21,4% das compras totais do Brasil nesse período: US$10,6 bilhões. De janeiro a março deste ano, a CEE continuou sendo o principal cliente do Brasil, importando US$2,17 bilhões (21% a mais que os US$1,7 bilhão do primeiro trimestre de 1988), enquanto os EUA compraram US$1,8 bilhão, mantendo a segunda posição (FSP).