VÍTIMA DO CÉSIO-137 DIZ QUE DOCUMENTO LIMITA AUXÍLIO

Um ano e nove meses depois do acidente radioativo com o césio-137, ocorrido em Goiânia (GO), as vítimas não têm assistência e tratamento adequados para levar uma vida normal e ainda sofrem preconceitos. A informação foi dada ontem, em Brasília, por Terezinha Nunes Fabiano e seu cunhado Ernesto Fabiano, contaminados em setembro de 1987 pelo césio, que provocou a morte de quatro pessoas e atingiu cerca de 250. Terezinha, que se tornou representante dos contaminados, disse que a Fundação Leide das Neves Ferreia (encarregada de prestar atendimento às vítimas do césio) está induzindo as 22 pessoas cadastradas a assinar um documento-- um Termo de aceitação--, que contém novas normas para o auxílio e propõe limitação no tratamento. O governo, porém, ao criar a Fundação, tinha se comprometido a dar assistência médico-social e psicológica até a terceira geração, indenizando as famílias que perderam suas residências. O "Termo de aceitação" estabelece, no entanto, a suspensão da cesta básica, do auxílio financeiro e do pagamento do aluguel "em caso de agressões morais ou físicas praticadas pelas vítimas contra o prédio, equipamentos ou funcionários da Fundação". Forçados a se submeterem a verificações periódicas, os pacientes se arriscam a perder o atendimento se deixarem de comparecer e não apresentar justificativa em uma semana. E só podem reivindicar benefícios de caráter social depois de examinados por uma equipe multiprofissional. O documento obriga o paciente a atender às convocações para documentação fotográfica-científica quando solicitado, permanecendo nas dependências da Fundação somente durante o horário de atendimento (JB).