O artigo do cientista político e diretor-executivo do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) Herbert de Souza, publicado no Jornal do Brasil no dia 7, em que "Betinho" alerta para o perigo do grande número de greves para a estabilidade política causou bastante impacto nos meios sindicais do Rio de Janeiro e São Paulo. A PETROBRÁS, por exemplo, reproduziu-o no boletim interno distribuído aos funcionários, ressalvando que, "sem necessariamente concordar com todos os conceitos emitidos, a presidência da companhia, pela importância do documento e pelo difícil momento por que passa a PETROBRÁS e o país, considera da maior relevância a ampla divulgação, tendo em vista a sua oportunidade". O presidente do Sindicato dos Professores do Rio de Janeiro, Gilson Puppin, disse que "Betinho" está propondo novas formas de luta para os trabalhadores e que o artigo "merece ser lido por toda a sociedade". Já o vice-presidente do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (SEPE), Alcebíades Teixeira, comentou o artigo afirmando que "o problema é que temos greves demais porque o governo excedeu no arrocho salarial e na ausência de credibilidade". Em São Bernardo do Campo (SP), o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Vicente Paulo da Silva, o "Vicentinho", contestou a análise de "Betinho": "Não sei se ele se baseou em notícias de jornais da burguesia, oficiais, para analisar o problema da violência". "Essa violência nunca foi provocada pelos trabalhadores, e sim por quem chama a polícia, rebaixa nosso salário, impede nossa emancipação", afirmou ele. Também o diretor do Departamento Nacional dos Metalúrgicos da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Heiguiberto Della Bella Navarro, acha que "violência é o que os patrões estão fazendo, chamando a polícia, demitindo, enviando telegramas aos trabalhadores em suas casas, ameaçando tirar a carteira funcional na porta da fábrica". Isso sim é violência, e exagero", disse ele. Para o diretor do Sindicato dos Ferroviários do Rio de Janeiro, Fernando Antônio da Silva, o grande número de greves ocorre "porque os trabalhadores não estão tendo dinheiro para comer". Ele acha que "o discurso do Betinho atende à pequena burguesia que tem medo de um retrocesso político, golpe militar ou outro tipo de golpe". "Se o salário fosse decente, não ia ter greve", afirmou o sindicalista. Já o diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central, Paulo Roberto de Castro, qualifica como "conservadora" a posição defendida por Herbert de Souza, de redução das greves para assegurar a primeira eleição presidencial em 29 anos (JB).